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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Operários sob condições de trabalho irregulares em MG

Data: 03/02/2014 / Fonte: EMDigital 

Mucuri/MG - Uma empresa de carvão foi interditada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Catuji, na Região do Mucuri, por manter operários em condições degradante de trabalho. As vítimas não tinham água potável para beber e comiam em um local que continham cachorros e até animais peçonhentos, como aranha e escorpião. Dois Termos de Ajuste de Conduta (TAC) foram firmados entre a empresa e o órgão.

As investigações começaram no final de 2013 quando ex-funcionários da empresa Carvão Fogo Leste entraram com ações na Justiça contra ela. O juiz proferiu as sentenças e enviou córpias para o MPT, que abriu três inquéritos para apurar as denúncias. "Durante a apuração ficamos sabendo que a empresa tinha encerrado as atividades. Porém, ficou constatado que houve uma sucessão, e a empresa se tornou O.E.Silva Filho", explica o procurador do Trabalho Max Emiliano da Silva Senna.

Em dezembro, os procuradores fizeram uma visita ao local onde os produtos eram embalados. Lá, flagraram a situação degradante vivida pelos trabalhadores. "Quando chegamos tinha oito operários, mas sabemos, pelas folhas de ponto, que eram aproximadamente 18 pessoas. Todos trabalhavam aproximadamente 10 horas por dia sem contar com equipamentos de segurança. Também não recebiam uniformes e viviam impregnados pelo pó do carvão", afirma Senna.

Dentro de um galpão, onde os trabalhadores empacotavam o carvão, foi encontrada uma máquina com uma esteira que fazia um barulho que poderia causar danos a audição dos empregados. "Fazia um barulho muito alto e os operários não utilizavam aparelhos auricular", conta o procurador. O local onde os trabalhadores faziam as refeições era sujo e havia cachorros e animais peçonhentos, como aranha e escorpião. "Os empregados tinham de levar os alimentos na mochila e não tinham equipamentos para colocar a comida. Por isso, tinha que comê-las frias e com grande risco de contaminação".

Para o procurador, a região onde a empresa está instalada facilita o aliciamento de trabalhadores. "A maioria são moradores de Catuji. Lá é uma região muito pobre e essas regiões são um campo fértil para este tipo de exploração. As vezes a pessoa é explorada, mas não faz nada pois precisa daqueles R$ 200, R$ 300", revela Senna.

Empresa assina TACO MPT propôs dois Termos de Ajuste de Conduta (TAC) que foram assinados pelo dono da empresa. Um deles, prevê a mudança no meio ambiente do trabalho. O proprietário terá que fornecer água potável, a melhoria das instalações sanitárias e de áreas de alimentação, a adoção de normas de combate e prevenção a incêndio, e adotar programas de saúde ocupacional em prazos que variam de 90 a 180 dias.

No outro, está previsto a regularização dos contratos de trabalho. A partir do acordo, nenhum empregado poderá ser admitido sem o devido registro, o pagamento de salário e demais créditos, como 13º e acerto rescisório, deverão obedecer aos prazos previstos em lei. Em caso de descumprimento das obrigações, a empresa estará sujeita a multas que variam de R$ 1 a 10 mil.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Copa e Olimpíadas: prazo das obras é risco para operários

A morte de um operário na reforma da Arena Palestra, o novo estádio do Palmeiras, na última segunda-feira (15), serve de alerta sobre as condições de segurança do trabalho oferecidas pela construção civil no Brasil. Segundo a engenheira especialista em Segurança do Trabalho,  Rosângela Hollauer, os grandes eventos que o país sediará nos próximos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, podem representar um risco extra para os trabalhadores envolvidos nas obras de instalações esportivas, em função dos exigentes prazos de entrega.

- É um fator que deve se agravar com as Olimpíadas e Copa do Mundo, com a pressa na qual essas construções civis vão acontecer nesses próximos meses. Uma das principais causas de acidente é a pressa, a pressão que o operário recebe - disse a especialista ao "SporTV News".

Hollauer explica que, em 1995, havia uma estatística que apontava serem necessárias 42 horas para a construção de um metro quadrado em obras. Atualmente, segundo ela, o tempo passou para 36 horas.

- O canteiro de obras, por si só, é um ambiente inóspito. As condições precisam receber um pouco mais de atenção, porque a construção civil prima por ser nômade. São muitos empregados terceirizados e uma mão de obra que não necessita de uma qualificação imediata. Geralmente é primeiro emprego, as pessoas aprendem fazendo, não estão preparadas. Acabamos contando com esses itens desfavoráveis aliados à improvisação e à falta de uma cultura de segurança em todas as etapas - atesta.

De acordo com Hollauer, acidentes são comuns na construção civil, que lidera o ranking de acidentes de trabalho. Os mais comuns são choque elétrico, quedas de altura e soterramento, que foi o caso do operário Carlos de Jesus, de 34 mortos, morto ao ser atingido por vigas de até quatro toneladas nas obras da Arena Palestra, no dia 15 de abril. As causas do acidente, no entanto, ainda são investigadas.

Engenheira vê obras no Maracanã seguras
Rosângela Hollauer inspecionou as condições de segurança das obras do Maracanã em 2012 e encontrou um "quadro satisfatório" na reforma do estádio. O local receberá jogos da Copa das Confederações, este ano, e da Copa do Mundo de 2014.

- A condições de segurança são muito boas. São cinco mil empregados, divididos em três turnos, com perfeitas condições de sinalização, de conscientização, de programas de valorização da vida.

fonte: protecao.com.br

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